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Os resultados da produção industrial brasileira para janeiro, divulgados hoje, permanecem profundamente medíocres. É natural que, de vez em quando, os índices mensais de produção industrial apareçam com sinal positivo. Em caso contrário, nossa indústria já teria sido extinta há anos. E não foi. O Brasil ainda tem indústria. Combalida, defasada, doente, mas ainda viva.

Entretanto, qualquer tom otimista agora, diante da absoluta ausência de uma estratégia governamental, de um projeto de desenvolvimento, que possa modernizar, de fato, a nossa base produtiva, soa ridículo. Até porque se deve olhar para o período acumulado de 12 meses, e não apenas paras as oscilações mensais. E no acumulado de 12 meses, os números continuam negativos: queda de 1%.

O dólar alto, pelo jeito, não vai ajudar, porque a demanda externa deve cair, puxada pelo coronavírus e a queda nas bolsas. As previsões, portanto, estão se deteriorando, pois o dólar alto prejudica a importação de bens de capital (ou seja, máquinas, equipamentos e tecnologia, necessários para renovação da nossa indústria) e ao mesmo tempo não ajuda a nossa exportação, pois o mercado externo deve encolher.

A solução?

Inúmeros economistas estão dizendo: ampliar o investimento público e fazer uma política industrial moderna (não confundir com as feitas no passado, baseadas em lobby de indústrias tradicionais de São Paulo), focada em disseminação de tecnologia, melhora da infra-estrutura e preparação de mão-de-obra qualificada.

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Vamos aos números divulgados hoje.

Tem um número muito bom, que é o aumento de 12,6% na produção de bens de capital; entretanto, o mesmo item registra alta insignificante de apenas 0,4% no acumulado 12 meses, de maneira que a alta em janeiro, por enquanto, é apenas um soluço. A produção brasileira de bens de capital permanece estagnada, e não há tendência ainda de recuperação.

O relatório do IBGE compilou dados oriundos de outras fontes, privadas e estatais, e os números mostram uma situação ainda bastante negativa para a indústria brasileira.

O faturamento real da indústria, segundo a CNI, caiu 0,9% em janeiro. A utilização da capacidade instalada permanece baixa, em 77,75. Como acreditar no crescimento do setor se ele não está usando plenamente sequer as instalações já em produção?

O “quantum” do comércio exterior também é bastante negativo para a indústria. Segundo um padrão internacional, quantum é um índice que mede a quantidade de mercadorias comercializadas, descontando variações no preço e na inflação. O quantum das nossas exportações de manufaturados registrou queda violentíssima de 23,4% em janeiro. Como ser otimista numa situação dessas?

A indústria de transformação, depois do abrupto declínio iniciada a partir do segundo trimestre de 2014, permanece num patamar muito abaixo daquele observado entre 2007 e 2013.

Olhando apenas para o setor de bens de capital, a situação também é de profunda estagnação.

Conclusão: a indústria brasileira continua em declínio. As variações mensais, positivas ou negativas, não tem mudado a tendência observada nos períodos acumulados, onde o que se vê é apenas queda, estagnação e ociosidade.

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Indústria cresce 0,9% em janeiro, melhor resultado para o mês desde 2017

Editoria: Estatísticas Econômicas | Alexandre Barros
10/03/2020 09h00 | Última Atualização: 10/03/2020 09h05

Agência IBGE — A produção industrial brasileira cresceu 0,9% em janeiro, em relação a dezembro, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada hoje (10) pelo IBGE. O resultado interrompeu dois meses de taxas negativas e é o melhor janeiro desde 2017, quando ficou em 1,1%. Na comparação com janeiro do ano passado, o setor teve queda de 0,9%, com recuo também no acumulado dos últimos 12 meses, de -1%.

Na comparação com dezembro, 17 dos 26 ramos industriais pesquisados e três das quatro grandes categorias econômicas apresentaram taxas positivas em janeiro. “Isso não ocorria desde abril do ano passado. Os resultados positivos ficaram concentrados em poucas áreas da indústria por oito meses seguidos em 2019”, destaca o gerente da pesquisa, André Macedo.

As principais influências positivas vieram de máquinas e equipamentos (11,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,0%), metalurgia (6,1%) e produtos alimentícios (1,6%), depois dos recuos registrados em dezembro. Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,3%) avançaram pelo terceiro mês seguido.

Entre os oito ramos que reduziram a produção em janeiro, os desempenhos de maior importância para a média global foram registrados por impressão e reprodução de gravações (-54,7%) e indústrias extrativas (-3,1%), que teve o quinto mês consecutivo de queda na produção e acumulou perda de 8,9% desde então.

Já entre as grandes categorias econômicas, André Macedo observa que bens de capital (12,6%) e bens de consumo duráveis (3,7%) cresceram acima da média em janeiro com a retomada da produção nas indústrias de veículos depois do período de férias coletivas.

“Com isso, bens de capital interrompeu os resultados negativos desde maio de 2019, período em que acumulou redução de 14,8%. O resultado de janeiro foi o avanço mais intenso desde junho de 2018 (23%). Já o avanço de bens de consumo duráveis devolveu parte da perda de 6,8% acumulada nos dois últimos meses de 2019”, acrescentou o gerente da pesquisa.

Ainda de acordo com a pesquisa, bens intermediários (0,8%) também registrou taxa positiva em janeiro. Por outro lado, o setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis teve variação negativa de 0,1% e marcou o terceiro mês seguido de queda na produção, acumulando nesse período recuo de 2,2%.

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