Marco Zero Conteúdo

Clique para compartilhar o link do texto original

por Jair Pereira*

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos marcos
históricos do Direito Internacional. Nela, quatro artigos chamam à atenção para
o debate sobre a existência ou não das Torcidas Organizadas. São eles;

Artigo 1

[...]

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e
em direitos. Dotados de razão e consciências, devem agir uns para com os outros
em espírito de fraternidade (grifo
nosso).

Artigo 3

Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal (grifo nosso).

Artigo 20

1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunirão e de associação pacíficas (grifo nosso).

Por fim, o Artigo 2: todos os seres humanos podem invocar os
direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração…

Diante disso, a luz do Direito, da dignidade humana e do
conceito de civilização qual a razão pra se defender as Torcidas Organizadas,
que hoje nada mais são do que associações para o crime? Nenhuma.

O Governo do Estado, através da Procuradoria Geral, recorreu
ao Poder Judiciário no sentido de julgar, de imediato e simultâneo, duas ações
(uma delas, Civil Pública) contra a Torcida Jovem, do Sport, a Inferno Coral,
do Santa Cruz, e Fanáutico, do Náutico. A Justiça cumpriu o seu papel.

O que não pode, no meu entender, é o Estado assistir
passivamente as cenas de violência, de barbárie, de crimes, dentro e fora dos
Estádios, contrariando todos os valores de cidadania, de convivência social e
de desportos.

Fora desses princípios, sem apresentar alternativas e opções
concretas para enfrentar o problema, de querer sustentar o debate no modelo da
critica pela crítica, de atacar e condenar as iniciativas do poder público, com
todo o respeito aos que assim agem, vejo que não chegaremos a lugar algum.

Pelo contrário. Traduz um diversionismo. Esconde um
pretexto, ingênuo, talvez, de perpetuar a violência em nome de uma paixão
clubista, de uma tradição cultural e popular.

É uma justificativa equivocada e falsa. Violência não se cultua. Torcida Organizada não é patrimônio histórico de nenhum clube. No mundo, registre-se. Aqui em Pernambuco os três grandes já atingiram mais de um século de existência. Qual Torcida Organizada acompanhou essa trajetória, de forma ininterrupta? Nenhuma. Portanto, as Organizadas, hoje, mais do que nunca, associações organizadas para o crime, não podem estar acima da estrutura da sociedade, das instituições democráticas e das liberdades individuais. Que sejam extintas na forma da Lei.

*Jornalista, empresário e produtor cultural

O post Torcidas Organizadas não são patrimônio dos clubes apareceu primeiro em Marco Zero Conteúdo.

Leia o texto completo em Marco Zero Conteúdo