Escreva Lola Escreva

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Hoje, 14 de março, faz dois anos que Marielle Franco foi executada. 
Como o Brasil definitivamente não é um país para amadores, hoje amanhecemos com a notícia de que Gustavo Bebianno, 56 anos, morreu de infarto em seu sítio em Teresópolis, RJ. 
E, pra completar o pacote, adivinhe qual é a hashtag que está nos primeiros lugares dos TTs do Twitter desde muito cedo? 
Celso Daniel. Isso mesmo, o nome de um político do PT que foi assassinado há 18 anos num crime que, segundo o ex-delegado do caso, não foi um crime político. No entanto, como reaças não estão nem aí pra verdade, eles continuam associando este crime ao PT. 
Resta saber se o Gabinete do Ódio programou na madrugada repetir o nome Celso Daniel pra tentar ofuscar a morte de Marielle (que era do Psol, não do PT, mas pra reaça tanto faz), ou se foi um pouco depois, pra tentar ofuscar a morte suspeita de Bebianno — o que seria um "passar recibo" primoroso, não?
Ah, dirão bolsominions, mas Bebianno morreu na casa dele de morte natural. Sei. Suas últimas palavras, publicadas hoje na Folha (antes da morte), foram "Todos que tentam trabalhar terminam alvejados pelas costas. O Brasil ainda vai enxergar quem são Bolsonaro e seus filhotes". 
Ano passado, ele disse que deixou cartas com duas pessoas próximas no exterior, junto com a ordem "Se algo acontecer comigo, abram". 
Bebianno conheceu o então deputado do baixo escalão Bolso em 2017, e ofereceu-se para ser seu advogado de graça. No ano seguinte, convenceu seu Jair a sair candidato a presidente pelo PSL. Esteve obviamente abraçado a todo o laranjal. Foi ministro (secretário-geral da presidência) durante um mês e meio. Saiu brigado, mas nunca realmente falou tudo que sabia. 
No começo do mês, foi entrevistado pelo programa de TV Roda Viva. Ele, que esteve com Bolso em Juiz de Fora no dia da fatídica e mui suspeita facada, indiretamente culpou Carluxo pelo que aconteceu. Segundo Bebianno, foi graças ao filho número 2, que nunca viajava com o pai mas que por algum mistério estava presente em Juiz de Fora, que Bolso não usou colete no dia. 
A morte de Bebianno será investigada? Saberemos o material que ele deixou com amigos?
Ao que parece, este é o segundo caso de queima de arquivo da famiglia Bolsonaro em pouco mais de um mês. No dia 11 de fevereiro, o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, envolvido até o talo da morte de Marielle, e amigo de longa data de Flávio B., foi morto pela polícia no interior da Bahia. 
Dois homens que sabiam demais, dois homens de confiança do presidente da República, que morreram em situações cercadas de mistério. 
Pra quem acha que isso é teoria da conspiração, pense: o que reaças diriam se a facada sem sangue tivesse acontecido com Lula, não com Bolso? Teriam a menor dúvida que ela foi fake? O que diriam se Adriano e Bebianno fossem ex-grandes amigos de Lula, não de Bolso, e de repente aparecessem mortos antes de falar o que sabiam? Teriam a menor dúvida de que foi queima de arquivo? E se o autor dos disparos que mataram Marielle fosse um miliciano vizinho de Lula, não de Bolso, o que diriam os bolsominions? 
Hoje deveríamos estar falando apenas de Marielle. Dois anos depois de seu brutal assassinato, ainda não sabemos quem mandou matar a vereadora eleita pelo Psol do RJ.
Ontem, familiares de Marielle e Anderson foram recebidos por representantes do Ministério Público do RJ e por integrantes da Anistia Internacional. Uma promotora garantiu que a equipe estava empenhada na elucidação do caso, e pontuou que "o maior empecilho é o acesso a informações do Google e do Facebook". 
Hoje se sabe que o PM reformado Ronnie Lessa, morador do condomínio Vivendas da Barra e vizinho de seu Jair, reuniu-se com o ex-PM Élcio Queiroz na casa de Ronnie, poucas horas antes de saírem para executar Marielle. Ela e Anderson, o motorista do carro, foram assassinados às 21h. 
Ainda não se sabe quem mandou matar Marielle.
Muito já se falou sobre a visita de Élcio ao condomínio onde mora seu Jair. Um porteiro depôs ter reconhecido a voz de Jair Boslo ao atender o interfone, mas o então deputado estava em Brasília. O que mais me chama a atenção, e ainda não foi devidamente explicado, foi por que um outro porteiro registrou na folha de registro que Élcio (que iria dirigir o carro com o atirador Ronnie) foi para a casa 58, onde vive seu Jair. Note-se que esse "lapso" foi cometido antes da execução. Não é coincidência demais?

A certeza indiscutível é que quem matou e quem mandou matar Marielle nunca imaginou que sua execução teria a repercussão que teve — que tem. Marielle, gigante, uma guerreira inspiradora, continua sendo homenageada no mundo todo. Só quem lhe dedica ódio (desde as primeiras horas de sua morte) são reaças asquerosos que não tem qualquer apreço pela vida. 
Hoje Marielle, além de semente, é uma ótima medidora do caráter de uma pessoa. Veja o que um cara tem a dizer de uma vereadora combativa, humana, lésbica, negra, forte, que lutava contra milicianos, e você saberá na lata qual o caráter desse cara. 
A começar pelo miliciano que alguns chamam de presidente.

 

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