Blog do Kennedy

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Num pronunciamento com pitadas de xenofobia, o presidente Donald Trump adotou ontem a estratégia de cada país por si na luta contra o coronavírus. Falou em “vírus estrangeiro” e suspendeu viagens da União Europeia para os EUA por um mês, quebrando uma cooperação internacional mais necessária do que nunca para enfrentar o covid-19.

Na fala desta quarta, Trump culpou os estrangeiros e terceirizou responsabilidades. Essas atitudes parecem ter o objetivo de comprar tempo enquanto os testes não podem ser feitos em larga escala nos EUA, o que tem deixado as pessoas inseguras. Há relatos de cidadãos com sintomas do covid-19 que não obtiveram atendimento médico. Tampouco conseguiram fazer o teste.

É ruim essa estratégia de cada país por si. A China, por exemplo, ajudou a Itália com medicamentos quando a situação se agravou lá. Isso contrasta com a decisão de Trump de fechar a fronteira aérea com a União Europeia sem consultar aliados tradicionais.

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O ingrediente de xenofobia é preocupante, porque o coronavírus acaba sendo uma oportunidade para líderes autoritários e despreparados atiçarem o nacionalismo. Este não é o momento de ser nacionalista, porque o vírus não tem passaporte nem nacionalidade.

A necessidade de uma cooperação global é urgente e fundamental, mas o país mais importante do mundo está tomando medidas de fechamento. Isso afetou bastante as bolsas americanas, que sofriam baixa de 5 pontos percentuais na manhã desta quinta.

O pronunciamento de Trump na noite desta quarta não foi claro, mas considerado confuso por analistas financeiros e boa parte da imprensa. A Casa Branca teve de dar explicações para explicar posições do governo, como a possibilidade de mercadorias continuarem a circular entre EUA e Europa. Cidadãos americanos na Europa poderão voltar ao país, mas passarão por triagem e terão de fazer quarentena por duas semanas. A exceção para o Reino Unido tem sido questionada.

Apesar da confusão, ontem foi o dia em que os Estados Unidos acordaram mesmo para a ameaça do coronavírus. A NBA, que é a liga de basquete nacional, suspendeu a temporada. Mais de um milhão de estudantes não foram às escolas hoje. Universidades e escolas públicas e privadas têm suspendido suas atividades. Pessoas estocam alimentos e remédios.

Eventos públicos estão sendo cancelados, como comícios políticos e congressos empresariais e médicos. Shows e festivais estão sendo adiados ou cancelados. Os dois candidatos do Partido Democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders, já haviam suspendido atos de campanha desde anteontem. A campanha de Trump anunciou ontem que ele também não fará mais comícios eleitorais.

Há toda uma recomendação médica para que as pessoas mantenham a chamada distância social, evitando cumprimentos com apertos de mão e beijos na face. Está em curso uma mudança rápida nos EUA em termos de comportamento social.

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Testar é o nó

A Casa Branca diz que cientistas aconselharam Trump a fechar a fronteira aérea com a Europa porque o centro do vírus estaria lá. Especialistas que dão entrevistas na imprensa americana dizem que essa medida terá pouca influência agora, porque o coronavírus já circula pelos EUA.

Essa resposta de Trump parece uma tentativa de ganhar tempo enquanto o governo americano não consegue entregar kits de teste em larga escala. São mais de 1.200 casos de covid-19 confirmados no país _os números vêm crescendo de forma exponencial semana após semana.

Há temores de que, na hora em que os testes foram feitos massivamente, possa ser constatado que o centro do vírus estaria nos EUA tanto quanto na Europa ou na China. Afinal, o coronavírus está espalhado pelo planeta. Há uma pandemia global. Daí a importância da cooperação entre os países, com lideres preparados para enfrentar tamanho desafio.

Ouça o comentário feito no “Jornal da CBN – 1ª Edição”:

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